Aos 84 anos, atriz Debbie Reynolds morre um dia depois da filha, Carrie Fisher

Aos 84 anos, atriz Debbie Reynolds morre um dia depois da filha, Carrie Fisher

Morreu nesta quarta-feira (28), aos 84 anos, Debbie Reynolds, atriz do musical “Cantando na Chuva” (1952) e mãe da atriz Carrie Fisher, a princesa Leia dos filmes “Star Wars”, morta um dia antes, aos 60. Debbie Reynolds havia sido internada com suspeita de ter sofrido um acidente vascular cerebral.

Segundo a BBC, o filho de Debbie, Todd Fisher, disse que a morte da filha foi uma dor muito insuportável para a mãe que, nas suas últimas palavras, teria dito que queria estar no lugar de Carrie.

Uma das grandes estrelas de Hollywood de meados do século 20, Debbie Reynolds foi casada com o cantor Eddie Fisher, com quem teve os filhos Carrie e Todd.

Além de “Cantando na Chuva”, com Gene Kelly, estrelou filmes como “Armadilha Amorosa”, ao lado de Frank Sinatra, e em “A Inconquistável Molly”, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 1964.

A atriz Debra Messing, que viveu no seriado “Will and Grace” a filha de Debbie, disse que a atriz foi uma “inspiração”. “Uma lenda, a imagem do otimismo americano, dançando lado a lado com Gene Kelly, uma mulher guerreira que nunca parou de trabalhar”, disse em nota.

Para o ator William Shatner, o Capitão Kirk de “Jornada nas Estrelas”, Debbie foi uma das últimas atrizes da realeza de Hollywood.

Trajetória
Nascida Mary Frances Reynolds, no dia 1º de abril de 1932 em El Paso, nos Estados Unidos, a posteriormente artista conhecida como Debbie Reynolds chamou a atenção dos “caça talentos”, quando adolescente venceu um concurso de beleza na cidade de Burbank, na Califórnia.

Loira, de olhos azuis e rosto doce e muito expressivo, Debbie Reynolds estreou no cinema pelas mãos do estúdio Warner Bros, com o filme “Vocação Proibida” (1950), embora foi sua futura associação com a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) a que fez chegar ao estrelato de Hollywood.

Neste mesmo ano participou do musical “Três Palavrinhas”, protagonizado por Fred Astaire, mas sua sorte mudaria completamente quando, dois anos depois, Stanley Donen e Gene Kelly a escolheram como atriz principal de um dos musicais mais famosos da história, “Cantando na Chuva”.

Ao lado do próprio Kelly e Donald O’Connor, Debbie Reynolds compôs o trio protagonista de um filme sobre o início do cinema sonoro e cujos deslumbrantes números de dança, como “Singin’ in the Rain”, “Make ‘Em Laugh” e “Good Morning”, passariam imediatamente a fazer parte do cânone do gênero.

Debbie Reynolds aproveitou o vento favorável naqueles anos e deixou sua marca em outros filmes como “Armadilha Amorosa” (1955), ao lado de Frank Sinatra; “A Festa de Casamento” (1956); o western “A Conquista do Oeste” (1962); e “A Inconquistável Molly” (1964), pelo qual foi indicada para o Oscar de melhor atriz.

Nos anos seguintes, ela trabalhou em musicais da Broadway como “Irene” (1973), onde estreou sua filha Carrie Fisher, e em Las Vegas, onde chegou a possuir um cassino, em um negócio que não deu muito certo.

No entanto, nunca deixaria de ter um pé em Hollywood, como demonstram suas participações nos filmes “Mãe é Mãe” (1996), “Será Que Ele É?” (1997) ou “Minha Vida com Liberace” (2013), seu último papel.

Vida turbulenta
Fora seu talento no cinema, Debbie Reynolds também era conhecida por sua turbulenta vida particular. Em 1955 se casou com o cantor Eddie Fisher, pai de seus filhos Carrie e Todd, mas seu casamento chegou ao fim quando seu marido a traiu, em 1959, com Elizabeth Taylor, o que na época provocou uma enorme polêmica na imprensa.

Debbie Reynolds se casaria pela segunda vez em 1960 com o empresário da indústria de calçados Harry Karl, de quem se separou em 1973, após descobrir que tinha perdido toda sua fortuna no jogo e maus investimentos.

Seu terceiro e último marido foi Richard Hamlett, com quem foi casada de 1984 a 1996.

Por outro lado, a relação entre Debbie Reynolds e Carrie Fisher passou por muitos altos e baixos, em parte pelos problemas mentais e de dependências que tinha a atriz de “Star Wars”, mas também pela movimentada vida de estrela de Debbie durante a infância de sua filha.

“Ser minha filha foi difícil para Carrie, pois na escola o professor a chamava Debbie. Mas acho que não era muito ruim, já que agora eu sou a mãe da princesa Leia em qualquer lugar que vá”, disse Debbie Reynolds, em tom irônico, em 2011 em entrevista ao lado de sua filha no programa de Oprah Winfrey.

Carrie Fisher, que durante anos ficou sem falar com a sua mãe, explicou nesta mesma entrevista que sua relação foi “volátil” e que houve um tempo de sua juventude onde “queria sua própria vida” e “não ser a filha de Debbie Reynolds”.

Com o tempo elas se reconciliaram e essa experiência teve seu reflexo artístico. Assim, o romance de Carrie Fisher “Lembranças de Hollywood”, que depois virou um filme protagonizado por Meryl Streep e Shirley MacLaine, retratou em parte os altos e baixos da relação com sua mãe.

Da mesma forma, Debbie protagonizou o filme “As Damas de Hollywood”, com roteiro de Carrie Fisher, e ambas foram o objeto de estudo do documentário “Bright Lights” (2016).

Vencedora do Prêmio Humanitário Jean Hersholt, da Academia de Hollywood, a artista também destacou ao longo de sua vida por seu trabalho como colecionadora de objetos relacionados com a sétima arte.

Ao longo dos anos, Debbie Reynolds leiloou alguns de seus objetos mais preciosos, como o famoso vestido onde Marilyn Monroe bajulou meio mundo em “O Pecado Mora ao Lado” (1955), assim como outro vestido usado por Judy Garland em “O Mágico de Oz” (1939).

bol

29/12/2016

 

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