Deputado pede vista, e Conselho adia votação sobre processo de Jean Wyllys

Júlio Delgado (PSB-MG) pediu mais tempo para analisar assunto; deputado do PSOL é alvo de processo por cuspir em Bolsonaro durante sessão da Câmara.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) pediu nesta quarta-feira (14) mais tempo para analisar o processo sobre Jean Wyllys (PSOL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, o que fez a comissão adiar a votação do parecer do relator, Ricardo Izar (PP-SP), que recomendou a suspensão, por 120 dias, do mandato do parlamentar do PSOL. O chamado pedido de vista vale por dois dias úteis.

O processo foi aberto para apurar se Jean Wyllys quebrou o decoro parlamentar ao cuspir no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), durante sessão da Câmara em abril, quando a Casa analisava a admissibilidade do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Para o relator do processo, a ação de Wyllys prejudicou a imagem e a reputação do Congresso Nacional, já que a votação referente ao processo de impeachment teve grande repercussão na mídia nacional e internacional.

O deputado do PP afirmou ainda que o ato de Jean Wyllys revela “completo desprezo” a Bolsonaro e ao prestígio do parlamento. Na avaliação do relator, o parlamentar do PSOL violou artigo do Código de Ética da Câmara, que recomenda que os congressistas tratem os colegas com respeito e independência.

Versão de Jean Wyllys

À época da abertura do processo para apurar a conduta de Jean Wyllys, a assessoria do deputado informou ao G1 que a ação do parlamentar foi motivada por “reiterados insultos e ofensas” de Bolsonaro.

Após Ricardo Izar apresentar o relatório recomendando a suspensão do mandato de Jean Wyllys, o deputado postou uma mensagem na rede social Instagram na qual avaliou que a sugestão apresentada no parecer é uma punição ao que ele “representa no parlamento”.

“Ele, Izar, ignorou os depoimentos das testemunhas de defesa, o meu depoimento, o comportamento jocoso de Bolsonaro no próprio Conselho de Ética durante seu testemunho […]. Chega a ser irônico que, num momento em que mais da metade do parlamento ou está delatada por participar de esquemas de corrupção ou responde por outros crimes na Justiça, Ricardo Izar pela suspensão do meu mandato – prestigiado internacionalmente e pautado na ética e transparência”, publicou.

Reação do relator

Após a publicação do texto por Jean Wyllys, Ricardo Izar divulgou uma nota, na qual afirmou: “Não é admissível que o referido deputado, desgostoso pelas consequências de seu ato indecoroso televisionado mundialmente – um cuspe em plenário a um desafeto seu em momento politicamente histórico ! – venha acusar inveridicamente quem teve a missão de preservar e fiscalizar a imagem do parlamento e seus ocupantes”.

g1

14/12/2016

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