Empresa afirma que partiu de fora tiro que atingiu turista em réveillon privado

Jéssica Violin, de São Paulo, foi baleada em festa de réveillon em Maceió. Polícia Civil investiga o caso; delegado diz que vai convocar testemunhas.

Representantes da empresa que promoveu a festa privada de réveillon Celebration, onde uma turista de São Paulo foi atingida por um tiro no ombro, disseram que a bala foi disparada do lado de fora do evento. A explicação foi apresentada durante uma entrevista coletiva à imprensa na tarde desta quinta-feira (5).

Jéssica Violin tem 32 anos e passava o réveillon pela primeira vez na capital alagoana. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que tem 30 dias para concluir o inquérito a contar da data em que foi aberto, na última segunda (2).

A empresa convidou um especialista em segurança para analisar o caso. Daniel Saraiva afirma que alguém atirou de longe para o alto e a bala acabou atingindo Jéssica, que estava dentro da área reservada para a festa.

“O projétil que a atingiu foi de uma pistola calibre 380. A bala foi projetada para abrir ao adentrar o alvo, o que não aconteceu com a Jéssica. O projétil ficou inteiro no ombro dela. Do ponto de vista técnico, o disparo deve ter sido feito de longe e para cima. A bala perdeu força ao descer”, afirma Saraiva.

Ainda de acordo com o especialista, o tiro pode ter vindo de qualquer lugar ao redor do evento. “Da favela da Emater, distante cerca de 500 metros do local, até a praia que fica a 200 metros. Pode ter vindo de qualquer lugar. O ponto é que a bala subiu e perdeu força”.

A possibilidade de o tiro ter partido de dentro do evento foi descartada por Saraiva. “Isso provocaria pânico nas pessoas que estavam lá, além de chamar muita atenção, uma vez que a Jéssica foi atingida após a queima de fogos, o que abafaria o barulho do disparo”.

O delegado Robervaldo Davino, que investiga o caso, afirmou ao G1 que está analisando as imagens que compõem o inquérito e que ainda era cedo para tirar qualquer conclusão. “Eu já ouvi o depoimento dela [Júlia] e dos responsáveis pela festa também, mas ainda tem muito a ser feito. Outras pessoas ainda serão chamadas para depor”.

Em entrevista a uma equipe de reportagem da TV Gazeta na segunda, Jéssica criticou o atendimento que recebeu da organização da festa. “A princípio me fizeram os primeiros atendimentos, disseram que tinha um corpo estranho e que eu tinha que ir para o hospital. A pessoa que me atendeu disse que não podia disponibilizar a ambulância porque ela só poderia ser disponibilizada para casos graves e comas alcoólicos”.

O assessor jurídico do evento, Antônio Melo, rebate as informações e afirma que ela recebeu o apoio necessário. “Nas imagens podemos ver que ela não chegou ferida ao local. Ela deu entrada no posto médico por volta da 0h14 e recebeu todo o atendimento devido. 30 minutos depois, uma ambulância UTI móvel a levou para o hospital”, afirma Melo.

“O atendimento foi rápido. Acreditamos que as críticas feitas por ela e os amigos tenham sido por conta do abalo que a situação provocou. Nós continuamos disponibilizando atendimento médico, psicológico e ambulatorial para ela”, reforça o assessor jurídico.

Melo garantiu também que todos os participantes do evento passaram por revista antes de entrar, e as pessoas que trabalhavam na segurança não estavam armadas, ratificando a tese do especialista de que o tiro não poderia ter sido dado dentro do evento.

g1

05/01/2017

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