Exploração ao turista em Maceió: estão matando a galinha dos ovos de ouro

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Foto/ Ivaldo Pinto

Quando esteve em Maceió, participando de um encontro de municípios turísticos do Nordeste, realizado pela Empresa Alagoana de Turismo (Ematur), em 1984, o então presidente da Embratur, Miguel Colasuonno, não escondeu a sua indignação quanto à exploração ao turista na capital alagoana, e defendeu a prática de preços compatíveis com a realidade, em todos os segmentos do turismo, e apelou veementemente aos prefeitos, secretários de turismo e empresários do setor: “Não matem a galinha dos ovos de ouro”.

Nessa época, Maceió experimentava um boom turístico, com hotéis e pousadas lotados, restaurantes e bares, também, mas havia um clima de insatisfação por parte dos turistas e nativos, que vinham sendo explorados por comerciantes avarentos, principalmente nos estabelecimentos localizados na orla marítima e adjacências, sem esquecer os informais (camelôs) que também cobravam preços aviltantes por seus produtos.

Passados todos esses anos, nada mudou. Quando chega a alta temporada, o fato se repete: turistas e a população de um modo geral são vítimas de comerciantes inescrupulosos que só pensam em lucro exagerado, como se tudo fosse acabar amanhã. Isso acontece por falta de uma fiscalização efetiva e permanente dos órgãos competentes, e também pela inexistência de campanhas de conscientização, a fim de coibir esse abuso.

Há poucos dias, o assunto voltou à baila. A imprensa local e nacional deram destaque à exploração ao turista na orla marítima de Maceió, precisamente nas praias de Pajuçara e Ponta Verde, onde os proprietários de estabelecimentos conceituados alugam por até R$ 150 uma cadeira e um guarda-sol. Outros cobram R$ 70 (taxa consumação) para o cliente sentar à mesa. Comidas e bebidas também estão com preços extorsivos. Uma tapioca, por exemplo, está sendo comercializada por R$ 25, um absurdo.

A prefeitura de Maceió e o órgão de defesa do consumidor estão diante de um problema crônico e precisam reagir com medidas eficazes. De nada adianta o Procon notificar os estabelecimentos infratores, como vem sendo feito. É enxugar gelo. Caso haja uma denúncia e a comprovação do fato, os fiscais devem aplicar uma multa alta, que pese no bolso do comerciante infrator. Só assim, o problema será minimizado.

Isso não vem sendo feito e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, como diz o ditado. Mas, uma coisa é certa: o turista não é bobo. Se explorado, não volta mais e ainda faz propaganda boca-a-boca negativa para queimar o destino, causando prejuízos incalculáveis ao turismo, importante fonte de arrecadação de divisas.

Ivaldo Pinto

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