Hivsters: soropositivos fazem corrida pela Austrália por conscientização

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A notícia veio de repente, pegou o australiano Ruan Uys de surpresa e o deixou completamente assustado. Ruan descobriu ser portador do HIV há dois anos e encarou o diagnóstico como uma “sentença de morte”. “Achei que tinha mais um ano de vida, eu era muito ignorante e desinformado sobre o vírus”, disse. Depois de muita pesquisa e conversas, ele descobriu que seu medo era “ridículo”, que poderia viver tanto quanto qualquer outra pessoa, e mais: usar seu tempo para informar o mundo sobre a AIDS.

Foi assim que nasceu o movimento Hivsters, um grupo de ativistas soropositivos que luta para acabar com os estigmas do HIV, e que fez uma corrida de 180 quilômetros, de Portland a Penola na Austrália, para conscientizar moradores. Segundo Ruan, a discriminação é explícita. “Quando descobriram minha condição no trabalho, tentaram se livrar de mim. Mas nós estamos aqui e em todo lugar. Somos médicos, enfermeiros, garçons, cabeleireiros”, afirmou.

Stephen Watkins, também integrante do Hivsters, foi diagnosticado há nove anos e já possuía conhecimento sobre os tratamentos disponíveis contra o vírus. O que ele não esperava, porém, era ter que enfrentar os desafios sociais que vêm junto com o HIV positivo. Os membros principais do Hivsters somam seis homens, mas outras pessoas se juntaram à causa durante a caminhada. Segundo o grupo, soropositivos ainda são vistos pela sociedade de forma “marginalizada”.

O principal problema da discriminação é a barreira que inibe os testes de HIV e a busca por tratamento. “Eles têm medo que alguém os veja tomando a pílula”, disse Ruan. O medicamento impede a multiplicação do vírus, permite que o organismo responda com anticorpos e que a pessoa tenha uma vida normal, explicou. Porém, a forma como a população trata o assunto acaba com essa possibilidade, torna o portador do HIV um motivo de vergonha, causa isolamento social e introspecção, de acordo com os Hivsters.

Uma prova de que ser soropositivo não faz do indíviduo alguém mais fraco ou menos capaz do que quem não porta o vírus é a condição física dos ativistas para caminhar mais de 30 quilômetros por dia durante a campanha. “HIV não é mais ‘aquela coisa’”, reforçou Ruan.

 

Yahoo

06/12/2016

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