Menina síria que tuíta sobre a vida em Aleppo é retirada da cidade

Bana al Abed, de 7 anos, foi levada a zona campestre da região. Ela escreve sobre rotina sob bombas desde setembro e já chamou a atenção de J.K. Rowling.

A menina síria Bana al Abed, conhecida por seus tuítes sobre a rotina diária em Aleppo, foi retirada da cidade síria junto a sua família durante o cessar-fogo decretado no local, indicaram várias ONGs nesta segunda-feira (19), segundo a France Presse.

Bana, de sete anos, “foi retirada nesta manhã de Aleppo junto a sua família”, indicou no Twitter a ONG islâmica turca IHH, e publicou uma foto que mostra a menina, com um gorro, junto a um de seus funcionários. “Ela fez parte do primeiro grupo que foi evacuado nesta manhã e agora se encontra na região de Rashidin”, uma zona campestre de Aleppo, disse um porta-voz do IHH.

Ahmad Tarakji, chefe da ONG médica síria American Medical Society (SAMS), também anunciou no Twitter, com uma foto, a retirada da menina e sua chegada “com muitas outras crianças” ao campo de Aleppo.

Desde setembro, Bana Al Abed escreve junto a sua mãe sobre a vida sob as bombas no leste de Aleppo, cercado pelo regime sírio. Sua conta é seguida por mais de 323 mil pessoas e já chamou a atenção da escritora J.K. Rowling, responsável pela saga “Harry Potter”, que lhe enviou livros e mensagens carinhosas.

Em um de seus últimos tuítes, neste domingo (18), a menina implorou ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e ao seu ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, que garantissem que o cessar-fogo apadrinhado por Turquia e Rússia funcionasse para que os habitantes dos bairros rebeldes fossem evacuados. “Estamos tão cansados”, escreveu.

Cavusoglu respondeu no Twitter, afirmando que “as dificuldades em terra não nos dissuadirão”. “Deve estar certa de que fazemos todo o necessário para te tirar dali, você e milhares de outros, para um lugar seguro”.

12 mil saíram de Aleppo

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia afirmou nesta segunda-feira que um total de 12 mil civis já foram retirados do leste da cidade síria de Aleppo. Cerca de 4.500 pessoas deixaram o enclave rebelde desde a meia-noite, de acordo com o chanceler turco, Mevlut Cavusoglu, no Twitter, de acordo com a Reuters.

Dezenas de ônibus e ambulâncias que deixaram a zona rebelde de Aleppo chegaram a áreas insurgentes do interior a oeste da cidade, de acordo com um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) e com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, um grupo de monitoramento.

As retiradas são resultado de negociações intensas entre a Rússia – principal aliada do presidente sírio, Bashar al-Assad – e a Turquia, que apoia alguns grandes grupos rebeldes.

Ataques

No domingo (18), vários ônibus em rota para retirar pessoas doentes e feridas das aldeias sírias sitiadas de al-Foua e Kefraya foram atacados e queimados, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos e a televisão estatal síria, segundo a Reuters.

A coalizão de forças que lutam pelo governo do presidente Bashar al-Assad está exigindo que as pessoas sejam autorizadas a deixar as duas aldeias em troca por permitir retirada de rebeldes e civis de Aleppo.

g1

19/12/2016

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