Por que um a cada três devedores volta ao vermelho após a renegociação da dívida?

959a508575b7c8bddc2284bc5498e9fa

Um terço dos brasileiros que renegociam suas dívidas volta à condição de inadimplente. Os dados são do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o principal erro que leva os consumidores a voltar ao vermelho é não analisar corretamente sua situação financeira antes da negociação. “É preciso avaliar com bastante cuidado as finanças. Será que eu posso cortar alguma coisa? Quanto posso redirecionar para pagar a dívida? Para dizer sim com segurança e não deixar de pagar mais uma vez e perder a confiança do credor, deixando o histórico ainda pior”, diz.

E ficar com o nome sujo na praça causa consequências não somente para o bolso, influencia também nas relações sociais. As dívidas deixam 66% dos inadimplentes deprimidos e 17% recorrem a algum vício para lidar com a ansiedade causada por elas, impactando na saúde física.

A ânsia pela resolução do problema pode levar o consumidor a buscar alternativas como pegar dinheiro emprestado. Um em cada dez devedores já recorreu a empréstimos para negativados e pelo menos 30% deles não foram informados sobre as taxas de juros, que nesta modalidade tendem a ser altas. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, os juros chegam a 919% ao ano em alguns casos.

Além do risco do superendividamento, o consumidor também pode cair em tentação e acabar pegando mais dinheiro do que deveria, já que 29% dos entrevistados pela pesquisa disseram ter contratado o empréstimo com o objetivo de não só quitar completamente as dívidas em atraso, mas também de comprar outros produtos.

O melhor a fazer nestes casos é se planejar e procurar ajuda especializada. O SPC Brasil, por exemplo, tem um portal de educação financeira criado para promover temas que auxiliem os consumidores a organizar suas finanças pessoais (www.meubolsofeliz.com.br).

Marcela também aconselha a não esperar pela cobrança ou aguardar um feirão de negociação de dívidas. “O cliente pode ligar no serviço de atendimento da empresa para conversar sobre as melhores condições a fim de resolver a situação. Depois de solucionar o problema é importante voltar ao passado e tentar entender o que o levou a chegar naquela situação para não voltar a cometer os mesmos erros”.

Pelo o país

De acordo com o Indicador de Inadimplência Pessoa Física do SPC Brasil e da CNDL, o número de brasileiros negativados teve uma leve alta em setembro e atingiu 59 milhões, após três meses seguidos de queda. Na comparação com o ano passado, também houve um acréscimo, em 2015, os consumidores nesta situação somavam 57 milhões.

A estimativa por região do país mostra que o Nordeste concentra o maior número absoluto, com 15,42 milhões de consumidores negativados, o que representa 39,06% da população adulta. Em seguida, aparece o Sul, com 8,37 milhões de inadimplentes (37,82% da população adulta). Mas, o destaque fica com a região Norte que, com 5,45 milhões de devedores, possui 47,23% de sua população adulta incluída nas listas de negativados – o maior percentual entre as regiões pesquisadas. O Centro-Oeste, por sua vez, aparece com um total de 4,91 milhões (43,30% da população). O indicador não considera a região Sudeste devido à Lei Estadual nº 15.659, que dificulta a negativação de consumidores em São Paulo.

 

Yahoo

29/11/2016

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Deprecated: Directive 'track_errors' is deprecated in Unknown on line 0